Divulgação

Biblioteca Nestor de Holanda

quarta-feira 03/02/2010


Fundada em 1973 e registrada mais tarde no Ministério da Educação em 1974, sob o nº 16.670, a Biblioteca Nestor de Holanda reúne em seu acervo de mais de 50 mil volumes, uma variedade de exemplares, que sob a supervisão de um bibliotecário, auxilia alunos e professores, servindo de instrumento de apoio, indispensável ao desenvolvimento das funções das Faculdades Integradas. A Biblioteca adota a Classificação Decimal Universal (CDU) para a classificação de seu acervo.


Acervo

O acervo da Biblioteca está dividido em duas partes: na primeira, encontram-se as obras de referência (enciclopédias, dicionários, bibliografias, atlas, coleções, etc.) e na segunda a coleção Didática, que abrange as grandes áreas do conhecimento conforme a tabela do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), com um acervo de aproximadamente 50 mil volumes.


Para complementar o acervo a biblioteca conta também com a coleção Multimeios que possui atualmente um acervo de fitas de video, DVD, CD’s de Audio, CD-ROM’s, globos, mapas e outros.


O espaço físico da sala de leitura e sala de trabalhos em grupos atualmente corresponde ao total de 234 m².
A área total aos serviços da biblioteca corresponde a 588 m².


Política de aquisição

Todo final de semestre, os professores da Faculdade encaminham à Biblioteca, a relação dos livros a serem adotados em sala de aula para o semestre seguinte. A Biblioteca adquiri suas obras também por doação e permuta através de contatos com instituições, casas publicadoras, literários, entidades públicas etc.


Funcionamento

O nível de informatização do acervo encontra-se em atividade plena através da Base de Dados.. Possibilitando a recuperação da informação através de AUTOR, TITULO e ASSUNTO. Os usuários ainda contam com computadores dedicados à INTERNET – 24 horas para auxilio em suas pesquisas e computadores para consulta do acervo bibliográfico, como também através do Aluno Online, onde poderá ser realizada a busca direta ao acerto, utilizando os mesmos recursos da pesquisa ao acerto, na própria biblioteca. O acesso ao material bibliográfico é realizado através de solicitação junto aos funcionários no balcão de atendimento. A forma de empréstimos é feita por consultas no próprio local da biblioteca, sendo permitido o empréstimo a domicílio. Uma das formas de atualização do acervo é através de sugestões bibliográficas dos professores e alunos.


Bibliotecário: João Maria Ferreira – CRB/4 1645
Gerente administrativo: Severino Malheiros de Souza.
Auxiliares: André Ricardo de Nobaia Acioli e Silva, Gerôncio Malheiros de Souza Neto, Katianny Karla Silva de Souza Florêncio, Luciene Pereira do Nascimento, Lucivânia Jovelina da Silva e Maria de Fátima Vicente da Silva.


Horário de funcionamento

Segunda a sexta
Das 7h30 às 18h.
Das 19h às 22h

Sábados
Das 7h30 às 16h


Empréstimos

• Alunos: até 04 livros (02 livros de assuntos iguais e 02 de assuntos diferentes), o empréstimo será de 08 dias;
• Professores e funcionários: até 07 livros, por 15 dias.
• Não serão emprestados: obras de referência, trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, etc), livros de consulta e periódicos.


Multas

• A multa é por dia de atraso e por obra (incluindo sábados, domingos e feriados). Valor da multa R$ 1,00 por dia de atrazo.
• Os livros com reservas e os materiais exclusivos só para consultas que não forem devolvidos em tempo hábil, a multa será dobrada;
• O usuário em débito com a biblioteca não faz matrícula para o próximo semestre até que o mesmo seja regularizado;
• Em caso de roubo, perda ou qualquer tipo de dano que o livro venha a sofrer, o usuário é totalmente responsável, podendo pagar o valor do livro no mercado ou comprando o exemplar e entregando na biblioteca. Sua inscrição de uso também fica suspensa até sua situação ser totalmente regularizada.


Reservas

• O usuário dispõe do recurso da reserva (por telefone ou via aluno online), desde que o livro desejado, na esteja na estante;
• Caso se encontre disponível não entra em reserva;
• Estes têm até 24 horas para procurarem o livro reservado, se não passa automaticamente para o próximo da fila;
• O usuário é avisado de uma data prévia para que possa vir até o balcão de em préstimos solicitar o livro desejado.


Renovação

• Aluno de graduação pode renovar sempre que o livro não estiver em reserva:
• Aluno de Pós-graduação não pode renovar.

Observação: Os empréstimos serão realizados até 30 minutos antes do final de cada expediente.


Quem foi Nestor de Holanda?

Nestor de Holanda (Nestor de Hollanda Cavalcanti Neto) nasceu a 1º de dezembro de 1921, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco. Seu pai, Nestor de Hollanda Cavalcanti Filho, era farmacêutico. Sua mãe, Maria de Lourdes Galhardo de Hollanda Cavalcanti, era médica, filha de Estevão Galhardo, calabrês, e de Joana de Queiroz Galhardo, napolitana.


O pai de Nestor de Holanda contava, apenas, 22 anos de idade, quando faleceu, deixando o filho com 2 anos de idade. Sua mãe, apesar dos 20 anos incompletos, já estava diplomada pela Escola Normal, pelo Conservatório de Música (piano e bandolim) e em pintura e datilografia, numa época em que raramente se encontrava alguém que escrevesse à máquina. Viúva tão cedo, continuou residindo com os sogros, o farmacêutico Nestor de Hollanda Cavalcanti e dona Matilde de Aragão Rabelo de Hollanda Cavalcanti, mas passou a trabalhar para criar os filhos Nestor e Nelby, esta com apenas seis meses de nascida.


Conseguiu cadeira de professora no Grupo Escolar de Vitória de Santo Antão e passou a lecionar, particularmente, inclusive pintura e música. Durante cinco anos, assim viveu. Em 1929, transferiu-se, com os filhos, para o Recife, pois conseguira trocar a cadeira de professora por um cargo na Repartição Estadual do Algodão, e que era de sua propriedade, na rua do Sossego, 235, exatamente a casa que, mais tarde inspirou Nestor de Holanda para escrever o romance Sossego, Rua da Revolução.


Em 1931, Lourdes Galhardo ingressou na Faculdade de Medicina do Recife. Em 36, obteve diploma, tendo sido a laureada de sua turma, e exerceu a medicina até morrer, 1955, no Rio de Janeiro. E é curioso registrar que foi ela a primeira mulher que tirou carteira de motorista em Pernambuco, em 1925, tendo sido forçada a impetrar mandado de segurança para isso – e, em conseqüência, a Inspetoria de Trânsito lhe concedeu carteira, mas de profissional…


A tia paterna de Nestor de Holanda foi outra mulher admirável: Martha de Holanda, casada com o poeta Teixeira de Albuquerque. Estreou nas letras, em 1930, com o Delírio do Nada, apresentado por Alberto de Oliveira, Coelho Neto, João Ribeiro, Júlio Pires, Oscar Brandão e João Barreto de Menezes. Fundou a Liga Feminista Brasileira, foi revolucionária em 30 e a primeira mulher eleitora e candidata a deputado no Brasil, isto devido, igualmente, a mandado de segurança que foi obrigada a impretar.


Nestor de Holanda fez seus estudos no Recife. Cedo, muito cedo mesmo, ingressou no jornalismo. Ainda no ginásio, dirigiu o semanário A Fama, que acabou preso e proibido por motivos políticos. Sua primeira função: aprendiz de suplente de revisor. E trabalhou na Gazeta do Recife, Jornal Pequeno, Jornal do Comércio e Diário da Manhã.


Aos 17 anos, fez parte de um grupo de jovens que se iniciavam na imprensa e nas letras. O grupo fundou a editora Geração, através da qual Nestor publicou livro de poemas, Fontes Luminosas, que considera, hoje, “uma brincadeira de criança”. Faziam parte de Geração: Guerra de Holanda, Paulo Cavalcanti, Mário Souto Mayor, Sousa Leão Neto, Raul Teixeira, Aristóteles Soares, Dagoberto Pires e outros. E, ainda na mesma época, participou de concurso de peças para operários, promovido pelo Governo do Estado, mas seu trabalho foi preso e proibido. Tinha o título Mais tem Deus… A censura policial deu fim aos originais…


Contando com o estímulo de Valdemar de Oliveira, o grande realizador do teatro pernambucano, Nestor escreveu a comédia-histórica Nassau, que obteve êxito marcante, inclusive através da Rádio Clube de Pernambuco, quando transmitida por iniciativa de Luiz Maranhão. E produziu várias outras comédias.


Também na música popular, em diversas ocasiões marcou tentos no famoso carnaval pernambucano, destacando-se os frevos-canções Fala, Pierrô, com Levino Ferreira, Barafunda, com Ernani Reis, O Frevo é Assim, com Nelson Ferreira, e Não deixe a minha companhia, com João Valença, um dos Irmãos Valença, autores de Teu cabelo não nega, marcha adaptada por Lamartine Babo para o carnaval carioca.


Assim viveu Nestor de Holanda, até os 19 anos de idade, no Recife e em Olinda. Nesta cidade, conviveu com os jangadeiros da Z-4 e teve jangada na qual empreendeu longas pescarias de alto mar, o que lhe valeu a experiência aproveitada para escrever o romance Jangadeiros, traduzido em vários países, porque é, sem favor, o maior documentário sobre a tosca embarcação de pesca do Nordeste.


Em 1941, veio para o Rio de Janeiro, em busca de horizontes mais largos. Foi redator de A Cena Muda, Revista da Semana, Brasilidade, Vida, Deca, e das rádios Vera Cruz, Transmissora e Educadora. Convocado para o Exército, esteve em operações de guerra e chegou a sargento. Ganhou aí o apelido de Sargento Iolando ( por que os recrutas confundiam seu Holanda com Iolanda ) e o apelido foi usado, de modo jocoso, pelo próprio escritor.


Voltou à vida civil, depois da Guerra. Reiniciou, então, suas atividades intelectuais. Trabalhou em diversos jornais: Folha Carioca, Democracia, O Imparcial, A Noite, Folha do Rio, Shopping News, Diário Carioca, Última Hora e Diário de Notícias. Revistas: Manchete, A Noite Ilustrada, Carioca. Estações de Rádio: Clube Fluminense, Cruzeiro do Sul, Clube do Brasil, Globo, Nacional e Ministério da Educação e Cultura, da qual era redator. Emissoras de televisão: Continental, Excelsior, Rio. Escreveu muito para teatro, desde revistas como A Bomba da Paz, Está em Todas, TV para Crer e Terra do Samba, a comédias como Um Homem Mau e A Bruxa. Produziu mais de uma centena de composições populares, como Quem Foi?, Seu Nome Não é Maria, Xém-ém-ém ( que figurou na trilha sonora de um filme de Waltt Disney ), Periquito da Madame, Último Beijo, Muito Agradecido, Eu Sei que Ele Chora, Meu Mundo é Você, e fez parceiras com Ari Barroso, Ismael Neto, Haroldo Lôbo e outros musicistas que deixaram saudades. Foi um dos fundadores da SBACEM, era fundador da SADEMBRA e filiado à Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e à Associação Brasileira de Imprensa – ABI.


Graças a seu estilo leve, bem-humorado, de marcante penetração popular, Nestor de Holanda figura entre os escritores que mais venderam no Brasil, e esteve entre os mais traduzidos. Livros seus, como Diálogo Brasil-URSS, O Mundo Vermelho, Sossego, Rua da Revolução, Jangadeiros, A Ignorância ao Alcance de Todos, Itinerário da Paisagem Carioca e outros figuram entre os recordistas de venda, alguns com edições sucessivas, sendo que o último lhe rendeu o título de Cidadão Carioca, por decisão da Assembléia Legislativa do Estado da Guanabara.


Nestor de Holanda era casado, desde 1947, com dona Kezia Alves de Hollanda Cavalcanti. E o casal teve dois filhos, Nestor e Maria Marta.


Eis, portanto, em rápidas linhas, a história desse autor. Um homem que viveu, exclusivamente, de escrever. Jamais exerceu a função que não dependesse, tão-só, de sua pena. E, quando completou 32 anos de atividades na imprensa, viu sair a edição comemorativa do fato, em dois volumes, numa realização da BRADIL, com a seleção de trabalhos de sua seção “Telhado de Vidro”, na qual se destaca o bom humor do cronista diário, o cronista que, apesar das viagens que empreendeu ao exterior, não deixa de cantar as quatro cidades nas quais mais tempo viveu: Vitória de Santo Antão, Recife, Olinda e o Rio de Janeiro.


O  texto acima, nos foi gentilmente enviado pela filha do autor, Maria Marta, e foi publicado no livro “Telhado de Vidro – Vol.II”, Bradil – Rio de Janeiro, 1967, pág. 182.


Nestor de Holanda faleceu em 14 de novembro de 1970, na cidade do Rio de Janeiro.


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